O papel de parede amarelo

capa_01

Veja aqui a sinopse do livro no Skoob.

O livro traz um conto onde a protagonista e narradora, relata seus dias enclausurada em uma casa devido a um diagnóstico de depressão por parte de seu marido, apoiado por seu irmão.

“Uma temporária depressão nervosa – uma ligeira tendência histérica.”

A protagonista menciona um bebe, como qual ela não consegue se relacionar e ela diz:

não consigo estar com ele, põe-me tão nervosa.

Sua ida para essa casa foi uma decisão de seu marido a fim de que ela melhorasse, apoiado pelo irmão dela. Tinha horários rígidos e estava proibida de trabalhar. Ela, por outro lado, acreditava que se pudesse trabalhar se sentiria melhor, e ela até tentou.

“Apesar das opiniões deles, escrevi durante uns tempos. Mas, na verdade, isso acaba sempre por me fatigar bastante – ter que fazê-lo tão veladamente, ou, caso contrário ter que enfrentar uma grande oposição.”

Nesta casa, durante o dia, ela se detém diante de um papel de parede amarelo que a principio a irritou a ponto de pedir ao marido que o retirasse.

” Há qualquer coisa de estranho nesta casa – posso senti-lo.”

Como esse não o fez, ela foi passando seus dias em frente ao papel, que era sua única companhia e distração,  analisando seus padrões, tentando entendê-lo e identificar a mensagem ali impressa.

“Nunca na vida vi um papel mais horrível. Um daqueles padrões morosamente repetitivos e espampanantes que cometem todos os pecados artísticos.”

Para mim, particularmente, não consegui deixar de lembrar do conto Uma marca na parede de Virginia Woolf. Aqui, o que pude concluir é o relato de uma mulher do seculo XIX, que por sua tristeza, foi “diagnosticada” com depressão por aqueles que acercavam e seu marido então, decide isolá-la para que ela se cure, sufocando-a ainda mais em suas fantasias, tristeza e frustração. No contexto do conto, a mulher não tinha voz, não podia se representar e assim, dia após dia, ela sentia-se presa numa jaula, numa cadeia, minguando enquanto mulher, enquanto esposa, enquanto ser humano e no caso da nossa protagonista, enquanto escritora.

Claro que hoje nossa realidade é bastante diferente, mas não totalmente. Há mulheres que ainda hoje são tratadas da mesma forma por seus maridos/donos/governantes. Mulheres que não tem voz, que não podem se representar, que não podem dizer: Eu posso, Eu quero, Eu vou.

Claro que, do meu ponto de vista, tudo é uma questão de educação, de cultura. Esse tipo de situação, posso estar enganada, é mais frequente em localidades menos favorecidas, onde as mulheres têm uma educação rasa e reproduzem os comportamentos de suas mães. Mas, também acredito que juntas, orientando umas às outras, lutando por uma educação melhor, um dia conseguiremos que esse tipo de domínio não mais exista sobre nós, mulheres.

O conto é aberto a muitas interpretações e deixo aqui o canal aberto para discutirmos os possíveis pontos de vista.

Até mais!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s