Há um período ideal para ler determinado tipo de livro?

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Em 2016, incentivada pela Rita Araújo, decidi me arriscar e ler Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Esperava ser uma leitura arrastada e massacrante, como Dom Casmurro e O Alienista tinham sido para mim na época do ensino médio. Para minha surpresa, a leitura foi bem tranquila e em muitos momentos até engraçada. Outra experiência também neste sentido foi que comecei a ler As Meninas de Lygia Fagundes Telles e não consegui avançar. Tentei, insisti, pedi ajuda a minha professora de literatura, mas não deu. Concluí que eu ainda não estava pronta para essa obra e abandonei. Essa experiência me fez refletir se talvez não haja uma época ideal para ler este ou aquele autor. O que vocês pensam sobre isso?

O brasileiro tem fama de não ler, fato hoje em dia acentuado pelas redes sociais, mas a qual ou quais seriam os motivos que fazem com que os brasileiros não leiam? O ponto de partida para mim é o exemplo em casa. Ver os pais, irmãos lendo. Segundo, a escola. A escola deveria despertar no aluno o interesse pela leitura já nas séries iniciais, mas o que vemos é “imposição” de obras, muitas vezes ou na maioria das vezes, de outras épocas, que aborda outra cultura, ocasionando desinteresse pela leitura do livro trabalhado e até mesmo traumas em relação a determinado autor(a) ou estilo literário.

Com isso não estou querendo dizer que não se deva ler os “clássicos”. O que quero propor é que haveriam alguns níveis de leitura que os currículos escolares deveriam levar em consideração antes de trabalhar com esta ou aquela obra.

A leitura é um hábito e precisa ser estimulado. Para isso, a escola poderia utilizar livros que tratem de temais atuais que cumprem esse papel de atrair, de despertar a curiosidade em relação a este ou aquele livro. Em seguida, parte para o uso de adaptações dos clássicos, que possuem uma linguagem adaptada ao nosso cotidiano. A última etapa então é partir para livros de linguagem mais trabalhada, de contextos mais distantes de sua realidade, porém o aluno já tem condições de acompanhar.

Outro fator importante é a forma como a literatura é trabalhada em sala de aula e como se faz para desenvolver o hábito de leitura, como se forma um leitor, mas essa discussão fica para outra publicação.

Voltando ao Machado de Assis, não tenho desculpa para conhecer mais de sua obra, já que possuo alguns livros dele e essa será uma das metas de 2017. Se você chegou até aqui, deixe sua experiência, sua opinião aí nos comentários.

Até o próximo post!

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4 comentários

  1. Li Memórias Póstumas de Brás Cubas no ensino médio, devo ter sido a única ou uma das poucas a ter lido pelo menos da minha turma e pensava que por conta da fama da escrita de Machado de Assis, seria uma leitura chata, mas felizmente me surpreendi. Sobre o hábito da leitura no Brasil, conversei há alguns dias com uma prima, e chegamos às mesmas conclusões. Quando eu era criança minha vó disse que um dia fui ao quarto da minha mãe e ela estava lendo, fui à minha tia e ela também estava com o livro nas mãos e então eu soltei um: “Ah, eu também vou ler!”. Exemplo em casa é essencial, mesmo tendo toda regra a sua exceção. Pois o meio em que nasce conta bastante porém não é determinante, podemos perceber pelos nossos próprios autores da literatura brasileira, os quais vieram de famílias pobres. Na escola, empurram aos alunos, livros de linguagem rebuscada, então como podem estes desenvolver o hábito da leitura, não é mesmo? Se ao menos, o ciclo iniciasse de forma que o livro prendesse as crianças, contagiando-as, fazendo-as querer se aprofundar na história e partir pra outras aventuras… Tudo seria bem diferente 🙂

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  2. Alê, eu AMOOO Machado de Assis! ❤ Quando peguei para ler o primeiro livro, pensei que ia ser horrível, como foi na época do Ensino Médio, que até abandonei a leitura.
    Concordo exatamente contigo, acho que há obras que ainda não estamos preparadas, mesmo já sendo adultas. Isso que aconteceu com você lendo "As meninas", aconteceu comigo quando li "O cortiço".. Tentei, tentei, peguei outra edição na biblioteca para ver se ajudava, mas nada.. Desisti da leitura.
    Acredito que ainda não estava preparada para ler esse livro ainda, mas ainda pretendo ler um dia.
    Sobre as leituras dos clássicos na escola, acho uma crueldade fazer os alunos com 16/17 anos lerem as obras originais. Primeiro que para eles é chato e um porre mesmo, segundo que eles nem vão ler.
    Não estou falando que eles não devam conhecer, muito pelo contrário, acho muito importante sim eles conhecerem. Na verdade, acho que essas obras deveriam começar a serem abordadas através de adaptações e filmes, até chegar o momento deles lerem as obras originais. Fale falar que o intusiamo da professora para conquistar o aluno e convidá-lo a fazer essa leitura também é super importante.
    Se algumas obras ainda são difíceis pra gente, como você disse nesse post e como relatei aqui no comentário sobre a minha tentativa de ler O cortiço, por que para um adolescente de 16/17 anos será fácil? Já passamos por essa fase e sabemos que não é..
    Desculpa, falo demais!!! (ops.. escrevo demais)
    Super beijo!

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    • Lembro q li O cortiço e foi traumatizante. Pretendo reler. Sei que desta vez, será diferente. Cabe a nós como estudantes de letras, acredito, em nossos mestrados e doutorados tentar mudar isso. Sei que somos capazes. A leitura quando feita com amor, contagia!!!

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