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O Cortiço – Aluísio Azevedo 


Muito difícil falar sobre o Cortiço pois é uma obra complexa e que talvez não consigamos esgotar as discussões que a partir dela podem surgir.

É um livro repleto de personagens e de histórias que retratam aquele momento histórico. Aqui vou me ater aos principais.
João Romão é um português que “herdou” uma venda e alguma grana de seu ex-patrão. Se amiga com Bertoleza, escrava que tem uma quitanda e junta grana para comprar sua alforria. João Romão pega o dinheiro dela e a partir daí nasce o cortiço de São Romão.
João Romão tem como vizinho, Miranda e sua esposa, D. Estela, e mais sua filha, Zulmirinha.
Nasce entre João Romão, que queria ter a maior estalagem do Botafogo, e Miranda, que queria ser Barão e logo conseguiu o título, uma disputa que depois se transforma em admiração da parte de Miranda para com João Romão, já que este alcança todos os seus objetivos, se tornando mais importante na sociedade que o próprio Miranda.
Não vou me ater as histórias porque o que é importante relatar aqui são os temas abordados no livro. Temos bem óbvio a questão da escravidão, que estava em fins de ser abolida; adultério, ganancia, loucura, prostituição e o próprio jeito brasileiro de ser. Podemos falar ainda da questão dos portugueses que vinham para o Brasil em busca de melhores oportunidades, mas acabavam trabalhando lado a lado com os negros.
Outro ponto a destacar é que surge do outro lado da rua um outro Cortiço, Cabeça de Gato, e que a medida que João Romão vai investindo no seu, aumentando, reformando, o outro vai acolhendo aqueles que eram considerados os piores tipos.

Li como apoio, o capítulo do livro Análise Estrutural de Romances Brasileiros de Affonso Romano de Sant’Anna, que vai nos mostrar que o livro é trabalhado em dualismos e também as teses naturalistas, que explicam o comportamento dos personagens com base na influência do meio, da raça e do momento histórico.

Enfim, queria relatar que a primeira vez que li este livro eu tinha 12 anos mais ou menos e não gostei. Hoje, me chocava com algumas passagens do livro e me perguntava, como eu não havia entendido determinado fato / acontecimento. E me chocou ainda mais o fato de o livro ter sido lido em colégio de freiras. A releitura, feita para a matéria Literatura Brasileira e identidade Nacional,me fez analisar também a forma como a literatura é trabalhada na escola e na faculdade. Na verdade, na escola, pelo menos no meu tempo, não fazíamos análise do que líamos. Talvez daí, surja os grandes problemas que as pessoas têm para ler Machado de Assis, entre outros autores.
Hoje, recomendo bastante a leitura, porém deve ser feita de forma muito crítica em relação ao período que ela retrata, o movimento literário ao qual pertence (naturalismo) e claro, traçando paralelos com nossa realidade atual, que não está muito diferente do que ali está retratado.
Quem quiser abrir uma discussão aqui nos comentários, sinta-se à vontade.

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