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Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato

Olá, tudo bem?

Começo dizendo que esta leitura foi para elaboração de um ensaio para apresentar na semana de lentes da faculdade onde estudo.

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Eles eram muitos cavalos foi escrito por Luiz Ruffato, autor brasileiro com formação na área de comunicação e foi lançado em 2001. A obra traz 69 mini contos, cujas narrativas se passam em apenas um dia na cidade de São paulo. Cada mini conto, começa sem uma introdução prévia. Nada sabemos dos personagens e eles se encerram bruscamente. São cortados! (O autor usa técnicas do jornalismo, da comunicação – não há linearidade).

As narrativas são densas. Falam sobre roubo, mortes, estupro, fome, miséria. A imagem da cidade vai se formando a partir destas narrativas. Quase sempre, os personagens são o que chamamos de subalternos, ou seja, os esquecidos, os invisíveis, que ao terem suas histórias contadas neste livro, acabam recebendo uma voz, que normalmente lhes é negada.

O ponto de vista deles, portanto, é do chão, das ruas em que transitam ou quase sempre, tem como lar. Ruas escuras, sujas, fétidas, perigosas e hóstis. Mas, também vemos relatos de pessoas que veem tudo isso se desenrolar do alto, seja de pédios ou mesmo de seus helicópteros, ou mesmo de seus carros de luxo. Eles sabem da realidade que existe ali, do lado de fora da janela, mas esta realidade, quase não o atinge.

[…] vista de cima são paulo até que não é assim tão – vai chegar um dia em que não vamos mais poder sair de casa – mas já não vivemos em guetos? a violência (johannesburgo, conhece?, feia tão suja tão à noite não se pode sair do) perigosa entra governo, sao governo, muda o quê?

O que procurei abordar com o trabalho foi a alteridade dentro da obra de Ruffato, ou seja, a voz que ele acaba fornecendo a estes subalternos e a possibilidade de nos fazer refeltir sobre a sobrevivência ou inxistência destes indívuos que na obra são colocados ao nível do lixo que descartamos (me fez lembrar de Carolina de Jesus e seu Quarto de despejo).

A obra, apesar de escrita há 17 anos, continua atual, uma vez que a situação dos subalternos não se alterou, podemos até dizer que o número destes indivíduos aumentou e com a política social como se encontra, demonstra que cada dia mais estes números irão aumentar. Livros como esse fazem com que a gente pense que já que os governantes não olham por estas pessoas, alguém precisa começar a pensar em como seria possível tornar suas vidas menos subalternas.

Deixo a epígrafe com a qual o livro inicia e que nos faz refletir.

Eles eram muitos cavalos, mas ninguém mais sabe os seus nomes, sua pelagem, sua origem…

Cecília Meireles

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Retrospectiva 2017

Já estamos chegando no segundo mês de 2018 e só agora me dei conta que não fiz a retrospectiva das leituras de 2017. Sei que tô devendo as resenhas e vou fazer um cronograma para colocar todas elas aqui, mas lá no instagram, tem um comentário sobre cada uma dessas leituras.

Em 2018, a meta é resenhar regularmente e já estou preparando a primeira resenha que será Orgulho e Preconceito de Jane Austen.

Vamos parar de conversa fiada e vamos para a lista do que li (não está na ordem de leitura, ok?!).

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  • Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto
  • O cortiço – Aluísio Azevedo
  • O Guarani – José de Alencar
  • A revolução dos bichos – George Orwell
  • Eu sou Malala – Malala Yousafzai
  • Flush – Memórias de um cão – Virginia Woolf
  • Do amor e outros demônios – Gabriel Garcia Marquez
  • Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez
  • Romeu e Julieta – William Shakespeare
  • Um caminho para a liberdade – Sua santidade O Dalai Lama
  • As viagens de Gulliver – Jonathan Swift
  • Robinson Crusoe – Daniel Defoe
  • Só garotos – Patti Smith
  • As cidades invisíveis – Ítalo Calvino
  • Conversas com um jovem professor – Leandro Karnal
  • Quarto de despejo – Carolina de Jesus
  • O despertar do silêncio – Shirlei Vilhalva
  • A carta de Pero Vaz de Caminha
  • Noite e dia – Virginia Woolf
  • A montanha mágica – Thomas Mann
  • Desvendando os segredos do texto – Ingedore G. Villaça Koch

Acharam que as leituras foram bem escolhidas? Algumas foram para a faculdade. Tenho que dizer que do Gabriel  Garcia, as duas obras são incríveis, mas Do amor e outros demônios é daquelas que você folheia e quando viu já acabou o livro. Quarto de despejo é de doer o coração. O despertar do silêncio é a resenha mais vista aqui no blog. O cortiço foi uma releitura que achei que seria difícil, mas me surpreendeu. A montanha mágica é daqueles que parece que não acaba, mas os diálogos do Hans com o Setembrini são fantásticos! Eu nunca havia lido Romeu e Julieta e achei que fosse algo difícil, mas estava enganada.

Por enquanto, só vou falar isso.

Logo mais eu volto!

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Eu sou Malala – Resenha

Eu sou Malala, é uma autobiografia, mas também podemos falar que se trata da biografia de todas as meninas do paquistão, afeganistão. Malala vai contar sua paixão e vontade de estudar e sua luta para poder exercer aquilo que é um direito de todos. E por causa desta luta, ela quase morreu. Uma luta que não é só dela.

Eu fiz esta leitura junto com meus alunos do ensino fundamental II (trabalhei o livro com as turmas do 6º ao 9º ano). Intercalei a leitura com documentários, entrevistas, discussões e fechamos com o filme.

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O que primeiro me chamou atenção na narrativa, foi o pai de Malala. Ele não é o tipo de homem paquistanês apresentado pela mídia. Mostra-se um homem gentil, atencioso, preocupado com a educação de seus filhos e entusiasta da educação, tanto que era dono de escola. Ele foi a grande inspiração de Malala. O seu herói.

Malala nos conta como era a vida antes do talibã chegar até sua cidade, como eram as casas, as relações entre as pessoas, os costumes e como tudo isso ficou com a chegada do talibã. Houve até um período em que ela e sua família, assim como outras tantas famílias, tiveram que deixar suas casas e cidade para trás.

A educação sempre foi um tema que considerei o mais importante para uma pessoa e a luta desta menina me comoveu demais por ser ela ainda uma criança, e me orgulhei por uma criança, uma menina, dar lições para adultos.

Penso muito na situação da educação em nosso país. A experiencia que tive em sala de aula foi em escola particular de subúrbio, e as crianças não tinham interesse algum nos conteúdos educacionais. Não era algo só da minha matéria. Era geral! E me preocupo com o futuro destas crianças. A educação é a forma que temos para mudar nosso futuro. Com ela já é difícil, imagina sem?! A educação nos abre a mente para transformar a nossa realidade e da nossa comunidade. E é justamente esta a lição que Malala nos dá.

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Você pode adquirir o livro através deste link (e ajuda o blog a crescer).

 

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Retrospectiva literária 2016

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2016 foi um ano que estabeleci como meta ler em média 04 livros por mês e no total geral, me saí bem. Faltou metade do último para fechar 40. Na foto, estão os livros físicos que li, pois por questões de ‘não tenho dinheiro’, li mais no kindle, meu fiel companheiro.

Veja abaixo a lista de tudo que li e terminei em 2016 (comecei vários outros que não terminei):

Janeiro

  • Virgínia Woolf, de Alexandra Lemasson
  • A garota no trem, de Paula Hawkins
  • A culpa é das estrelas, de John Green
  • Quem é você, Alasca?, de John Green

Fevereiro

  • Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi
  • O regresso, de Michael Punke
  • O pequeno príncipe, de Saint-Exupéry

Março

  • Extraordinário, de R J Palácio
  • A seleção, de Kiera Cass
  • A Elite, de Kiera Cass
  • A escolha, de Kiera Cass
  • Depois de você, de Jojo Moyes
  • Harry Potter e a pedra filosofal, de J K Rowling

Março e Abril

  • A herdeira, de Kiera Cass
  • Harry Potter e o prisioneiro de Azkabam, de J K Rowling
  • Édipo Rei, de Sófocles
  • Harry Potter e o cálice de fogo, de J K Rowling
  • A coroa, de Kiera Cass
  • Jovens de Elite, de Marie Lu

Junho

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
  • Como conversar com um facista, de Márcia Tiburi

Julho

  • Harry Potter e a ordem da Fênix, de J k Rowling

Agosto

  • Harry Potter e o enigma do príncipe, de J K Rowling
  • Harry potter e as relíquias da morte, de J K Rowling
  • Um dia, de David Nichols

Setembro

  • 1984, George Orwell
  • A viagem, de Virginia Woolf
  • O orfanato da Srta Peregrine, de Ransom Riggs
  • O auto da compadecida, de Ariano Suassuna

Outubro

  • O papel de parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilmar
  • A insustentável leveza de ser, de Milan Kundera
  • Budapeste, de Chico Buarque
  • Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Novembro

  • A filha perdida, de Elena Ferrante
  • Harry Potter e a criança amaldiçoada, de

Dezembro

  • O Mundo de Sofia, de Josten Gaarner
  • Cidade dos étereos , de Ransom Riggs
  • Uma história lastimável, de Fiodor Dostoiévski
  • A amiga genial, de Elena Ferrante

Ficou pendente para 2017, Os Miseráveis, de Victor Hugo e História do novo sobrenome, de Elena Ferrante.

Então é isso, que em 2017 possamos ultrapassar nossas metas e que tenhamos muitos livros novos na estante!. Feliz Ano novo!!

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A amiga genial – Elena Ferrante

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Mais um pra conta!!

Neste primeiro livro da série napolitana, vamos conhecer a infância e adolescência de Lenu e Lila, que se aproximaram no começo da 1ª série do ensino fundamental. Inicialmente, o que se pode destacar é o ódio que Lila dedica à sua mãe, tanto que deseja profundamente não se tornar igual à ela e ainda deseja mais sair de perto dela.

…ao passo que eu odiava a minha mãe – e odiava de verdade, profundamente…

Durante toda a narrativa o foco é sua relação com sua amiga Lila. Uma relação, do meu ponto de vista, carregada de admiração e inveja. Lenu se sente, desde o princípio da amizade, inferior a Lila e faz de tudo para ser igual ou melhor que ela.

sempre me senti um tanto deslocada de minhas próprias ações…

Estava habituada a me sentir a segunda em tudo.

No decorrer de sua trajetória de estudante, em que sua professora do ensino fundamental foi muito importante, Lenu vai percebendo as diferenças entre seu bairro e os bairros que passa a frequentar. À medida q vai amadurecendo, ela vai se questionando quem é ela, a que lugar ela pertence e adquirindo amor próprio. Para deleite de todo amante dos livros, na narrativa há várias referências a obras “clássicas” e a personagem tem inclusive como sonho ou meta de vida, ser escritora.

Pensávamos que estudar muito nos levaria a escrever livros, e que os livros nos tornariam ricas.

As histórias de Lila e Lenu são entrelaçadas às daqueles que as rodeiam e podemos perceber como essas relações entre pai e mãe, filhos e pais, vizinhos e por aí vai são relações cheias de violência verbal e física.

Ele a arremessara da janela como se fosse uma coisa…

Os pais podiam fazer aquilo e outras coisas com as meninas petulantes.

Suas violências de pai eram ninharia se comparadas à violência difusa no bairro.

Será que só o nosso bairro era tão cheio de tensões e de violências, quando o resto da cidade era radiante e benévolo?

A escrita de Ferrante é muito fluida, o livro tem capítulos curtos, mas ainda assim a escrita é carregada de sentimentos, cores, cheiros e muitas vezes, chocante.

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O papel de parede amarelo

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Veja aqui a sinopse do livro no Skoob.

O livro traz um conto onde a protagonista e narradora, relata seus dias enclausurada em uma casa devido a um diagnóstico de depressão por parte de seu marido, apoiado por seu irmão.

“Uma temporária depressão nervosa – uma ligeira tendência histérica.”

A protagonista menciona um bebe, como qual ela não consegue se relacionar e ela diz:

não consigo estar com ele, põe-me tão nervosa.

Sua ida para essa casa foi uma decisão de seu marido a fim de que ela melhorasse, apoiado pelo irmão dela. Tinha horários rígidos e estava proibida de trabalhar. Ela, por outro lado, acreditava que se pudesse trabalhar se sentiria melhor, e ela até tentou.

“Apesar das opiniões deles, escrevi durante uns tempos. Mas, na verdade, isso acaba sempre por me fatigar bastante – ter que fazê-lo tão veladamente, ou, caso contrário ter que enfrentar uma grande oposição.”

Nesta casa, durante o dia, ela se detém diante de um papel de parede amarelo que a principio a irritou a ponto de pedir ao marido que o retirasse.

” Há qualquer coisa de estranho nesta casa – posso senti-lo.”

Como esse não o fez, ela foi passando seus dias em frente ao papel, que era sua única companhia e distração,  analisando seus padrões, tentando entendê-lo e identificar a mensagem ali impressa.

“Nunca na vida vi um papel mais horrível. Um daqueles padrões morosamente repetitivos e espampanantes que cometem todos os pecados artísticos.”

Para mim, particularmente, não consegui deixar de lembrar do conto Uma marca na parede de Virginia Woolf. Aqui, o que pude concluir é o relato de uma mulher do seculo XIX, que por sua tristeza, foi “diagnosticada” com depressão por aqueles que acercavam e seu marido então, decide isolá-la para que ela se cure, sufocando-a ainda mais em suas fantasias, tristeza e frustração. No contexto do conto, a mulher não tinha voz, não podia se representar e assim, dia após dia, ela sentia-se presa numa jaula, numa cadeia, minguando enquanto mulher, enquanto esposa, enquanto ser humano e no caso da nossa protagonista, enquanto escritora.

Claro que hoje nossa realidade é bastante diferente, mas não totalmente. Há mulheres que ainda hoje são tratadas da mesma forma por seus maridos/donos/governantes. Mulheres que não tem voz, que não podem se representar, que não podem dizer: Eu posso, Eu quero, Eu vou.

Claro que, do meu ponto de vista, tudo é uma questão de educação, de cultura. Esse tipo de situação, posso estar enganada, é mais frequente em localidades menos favorecidas, onde as mulheres têm uma educação rasa e reproduzem os comportamentos de suas mães. Mas, também acredito que juntas, orientando umas às outras, lutando por uma educação melhor, um dia conseguiremos que esse tipo de domínio não mais exista sobre nós, mulheres.

O conto é aberto a muitas interpretações e deixo aqui o canal aberto para discutirmos os possíveis pontos de vista.

Até mais!