Publicado em livros lidos, Resenha

Eu sou Malala – Resenha

Eu sou Malala, é uma autobiografia, mas também podemos falar que se trata da biografia de todas as meninas do paquistão, afeganistão. Malala vai contar sua paixão e vontade de estudar e sua luta para poder exercer aquilo que é um direito de todos. E por causa desta luta, ela quase morreu. Uma luta que não é só dela.

Eu fiz esta leitura junto com meus alunos do ensino fundamental II (trabalhei o livro com as turmas do 6º ao 9º ano). Intercalei a leitura com documentários, entrevistas, discussões e fechamos com o filme.

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O que primeiro me chamou atenção na narrativa, foi o pai de Malala. Ele não é o tipo de homem paquistanês apresentado pela mídia. Mostra-se um homem gentil, atencioso, preocupado com a educação de seus filhos e entusiasta da educação, tanto que era dono de escola. Ele foi a grande inspiração de Malala. O seu herói.

Malala nos conta como era a vida antes do talibã chegar até sua cidade, como eram as casas, as relações entre as pessoas, os costumes e como tudo isso ficou com a chegada do talibã. Houve até um período em que ela e sua família, assim como outras tantas famílias, tiveram que deixar suas casas e cidade para trás.

A educação sempre foi um tema que considerei o mais importante para uma pessoa e a luta desta menina me comoveu demais por ser ela ainda uma criança, e me orgulhei por uma criança, uma menina, dar lições para adultos.

Penso muito na situação da educação em nosso país. A experiencia que tive em sala de aula foi em escola particular de subúrbio, e as crianças não tinham interesse algum nos conteúdos educacionais. Não era algo só da minha matéria. Era geral! E me preocupo com o futuro destas crianças. A educação é a forma que temos para mudar nosso futuro. Com ela já é difícil, imagina sem?! A educação nos abre a mente para transformar a nossa realidade e da nossa comunidade. E é justamente esta a lição que Malala nos dá.

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Você pode adquirir o livro através deste link (e ajuda o blog a crescer).

 

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Publicado em Metas de leitura

Projeto 12 livros para 2018

Em 2017, li apenas 20 livros (isso sem contar os livros pra faculdade).

2017 também foi o ano em que me dei conta que amo literatura inglesa e é nesta área que quero seguir meus estudos.

Para 2018, fiz uma seleção de livros mesclando literatura inglesa com livros para outros projetos como o Leia Mulheres e canais do YouTube (na verdade, o canal da Tati Feltrin).

Além desta lista, quero continuar com a leitura da obra de Virginia Woolf e Dostoievski. Mas, não vou me comprometer!

Vamos à lista?!

JAN – Orgulho e Preconceito – Jane Austen
Fev – Jane Eyre – Charlotte Bronte
Mar – O mundo assombrado pelos demônios – Carl Sagan
Abr – A guerra não tem rosto de mulher – Svetlana
Mai – Orlando – Virginia Woolf
Jun – Morte em Vene – Thomas Mann
Jul – Grandes esperanças – Charles Dickens
Ago – Lolita – Vladimir Nabokov
Set- O sol também se levanta – Ernest Hemingway
Out – A outra volta do parafuso – Henry James
Nov – O idiota – Dostoievski
Dez – Perto do coração selvagem – Clarice Lispector

#desafioliterario #leiamulheres #literaturainglesa #englishliterature #literatura #literature #letras-inglês

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Happy new year!

Mais um ano que se encerra e mais um ano de vida para este blog. Sei que estou em dívida com você que me lê. Para o próximo ano, já estou estabelecendo metas para mim mesma no sentido de postar aqui regularmente. Será um desafio (quem me segue no insta sabe que em 2018 eu me formo, portanto, terei que escrever meu trabalho de conclusão de curso e ainda tem o grupo de pesquisa). De toda forma, agradeço a Deu e a vocês que me lêem, seja aqui ou no insta, e que 2018 seja de muitas leituras produtivas. Nos vemos ano que vem!!!

Publicado em Bullet Journal, Organização, planejamento

Dicas de planejamento para 2018!!!

2017 está no fim!! Você já começou a se planejar para 2018? Já pensou em como se planejar?

A ideia deste post surgiu a partir de um convite de uma amiga, Sabrina, para uma live num grupo voltado para mulheres no Facebook, o Mulheres Especiais Empreendedoras, onde abordamos o tema planejamento para 2018. Então, trago algumas opções de planejamento que experimentei em 2017 para organizar minha vida pessoal, profissional, bem como as minhas leituras (tem post sobre como organizo minhas leituras. Clique aqui). Espero que estas dicas te ajudem a conseguir se planejar e tornar isto um hábito. Vamos lá?

A primeira opção que apresento é a agenda tradicional. Ela não me atende porque não preciso de tanto espaço.

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A segunda opção que trago é o planner. No Instagram e na própria internet há diversas empresas que comercializam e que também disponibilizam modelos para baixar. Este modelo que utilizei foi da Tilibra.

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A terceira opção que trago é o bullet jornal. A proposta do bullet é bem legal, pois é você quem faz tudo! Qualquer caderno serve! Vou deixar abaixo o link do site oficial do bullet, mas na internet há diversos modelos para você testar e adaptar. E o legal é que também serve de terapia, já que é um trabalho bem manual. Ele não me atendeu porque é preciso parar uma vez na semana para confeccioná-lo e eu não sou boa com trabalhos manuais.

Se quiser saber mais sobre o bullet, acessa aqui o site oficial. Também tem muito material disponível no Youtube.

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Uma dica também é o site Vida organizada, que traz muitas dicas, inclusive sobre o bullet. Acesse aqui.

Um dos canais que gosto que fala sobre bullet é o da Maria Lowen. Acesse aqui.

De todas as opções, a que mais me adaptei foi a agenda semanal, mas trouxe ela para um fichário A5, onde já coloco minha agenda pessoal e profissional em um único caderno/ agenda. Aqui em Salvador foi bem difícil conseguir este fichário, mas depois de muito procurar, achei na Kalunga. Ele vem com plásticos porta documentos. Aí, comprei folha pautada para fichário e as divisórias. Tudo ficou por R$ 20,00. Mas, como prefiro usar papel sem pauta, uso folha de ofício. Furo e coloco no fichário.

O importante de qualquer uma dessas opções é que você encontre um método que funcione de verdade para você. Então, aproveita os últimos meses de 2017 para testar e já saber qual desses escolher em 2018!

Espero que esta dica ajude de fato a conseguir se organizar e alcançar aquelas metas tão sonhadas.

Tem alguma experiência sobre o tema que queira compartilhar? Tem outro método que não abordei aqui? Deixa seu comentário. Pode deixar críticas, sugestões, enfim, se manifeste!

Beijos e até a próxima!!

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O Cortiço – Aluísio Azevedo 


Muito difícil falar sobre o Cortiço pois é uma obra complexa e que talvez não consigamos esgotar as discussões que a partir dela podem surgir.

É um livro repleto de personagens e de histórias que retratam aquele momento histórico. Aqui vou me ater aos principais.
João Romão é um português que “herdou” uma venda e alguma grana de seu ex-patrão. Se amiga com Bertoleza, escrava que tem uma quitanda e junta grana para comprar sua alforria. João Romão pega o dinheiro dela e a partir daí nasce o cortiço de São Romão.
João Romão tem como vizinho, Miranda e sua esposa, D. Estela, e mais sua filha, Zulmirinha.
Nasce entre João Romão, que queria ter a maior estalagem do Botafogo, e Miranda, que queria ser Barão e logo conseguiu o título, uma disputa que depois se transforma em admiração da parte de Miranda para com João Romão, já que este alcança todos os seus objetivos, se tornando mais importante na sociedade que o próprio Miranda.
Não vou me ater as histórias porque o que é importante relatar aqui são os temas abordados no livro. Temos bem óbvio a questão da escravidão, que estava em fins de ser abolida; adultério, ganancia, loucura, prostituição e o próprio jeito brasileiro de ser. Podemos falar ainda da questão dos portugueses que vinham para o Brasil em busca de melhores oportunidades, mas acabavam trabalhando lado a lado com os negros.
Outro ponto a destacar é que surge do outro lado da rua um outro Cortiço, Cabeça de Gato, e que a medida que João Romão vai investindo no seu, aumentando, reformando, o outro vai acolhendo aqueles que eram considerados os piores tipos.

Li como apoio, o capítulo do livro Análise Estrutural de Romances Brasileiros de Affonso Romano de Sant’Anna, que vai nos mostrar que o livro é trabalhado em dualismos e também as teses naturalistas, que explicam o comportamento dos personagens com base na influência do meio, da raça e do momento histórico.

Enfim, queria relatar que a primeira vez que li este livro eu tinha 12 anos mais ou menos e não gostei. Hoje, me chocava com algumas passagens do livro e me perguntava, como eu não havia entendido determinado fato / acontecimento. E me chocou ainda mais o fato de o livro ter sido lido em colégio de freiras. A releitura, feita para a matéria Literatura Brasileira e identidade Nacional,me fez analisar também a forma como a literatura é trabalhada na escola e na faculdade. Na verdade, na escola, pelo menos no meu tempo, não fazíamos análise do que líamos. Talvez daí, surja os grandes problemas que as pessoas têm para ler Machado de Assis, entre outros autores.
Hoje, recomendo bastante a leitura, porém deve ser feita de forma muito crítica em relação ao período que ela retrata, o movimento literário ao qual pertence (naturalismo) e claro, traçando paralelos com nossa realidade atual, que não está muito diferente do que ali está retratado.
Quem quiser abrir uma discussão aqui nos comentários, sinta-se à vontade.

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Quarto de despejo – Resenha

Quarto de despejo – Carolina de Jesus

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Quarto de despejo, é o diário de Carolina de Jesus, catadora de papel e moradora da favela do Canindé. Decidiu fazer um diário para trazer à público as dificuldades encontradas pelos favelados. Os vizinhos não gostavam dela porque ela escrevia sobre eles em seu diário.

Carolina nos conta seu dia-a-dia, relatando as dificuldades em que vive e que enfrenta como por exemplo, as péssimas condições de sua “casa”, na verdade um barraco coberto de papelão. Seu desespero em ver seus filhos pedindo comida e não ter o que dar a eles ou o fato de eles não terem sapatos para calçar.

A tontura da fome é pior do que a tortura do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago.

 Algo que chamou atenção foi o comentário dela sobre como as pessoas se comportam na favela, quase que como animais. E mais. Quem se muda para lá, passa a agir da mesma forma. Algo que me lembrou O Cortiço de Aluísio Azeedo, cuja análise de Affonso Romano de Sant’Anna, agem como animais de forma instintiva e estão condenados ao determinismo, que explicaria a mudança de comportamento.

Um lugar que não se pode plantar uma flor para espirar o seu perfume, para ouvir o zumbido das abelhas ou o colibri acariciando-a com seu frágil biquinho. o único perfume que exala na favela é a lama podre, os excrementos e a pinga.

Em alguns momentos, a leitura é dolorosa, como quando ela relata a necessidade de catar comida estragada, descartada pelos atacadistas, para se alimentar e os relatos que ela faz sobre pessoas que adoeceram ou morreram por terem comido dessa comida. Seu prazer, era a leitura e ela ficava feliz quando podia dar comida a seus filhos, ainda que fosse uma refeição deficiente.

Sábado é o dia que quase fico louca porque preciso arranjar o que comer para sábado e domingo.

A comida no estômago é como o combustível nas máquinas.

que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu, que antes de comer via o céu, as árvores, as aves tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos.

Carolina faz uma comparação entre a parte nobre da cidade e a favela. A parte nobre é a sala de estar da casa, no caso, São Paulo e a favela é o quarto de despejo, onde jogamos tudo que não presta, que não queremos mais.

Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo.

Oh! são Paulo rainha que ostenta vaidosa a tua coroa de ouro que são os arranha-céus. Que veste viludo e seda e calça de algodão que é a favela.

Mesmo com todas as dificuldades, momentos de desespero em que tinha vontade de se suicidar, Carolina se encontrava nos livros.

Um homem não há de gostar de uma mulher que não pode passar sem ler. E que levanta para escrever. E que deita com lápis e papel debaixo do travesseiro. Por isso é que prefiro viver só para o meu ideal.

Para mim, a experiência de leitura foi forte porque os relatos dela como mãe me tocam profundamente, já que também sou mãe. O livro é curto e por ser um diário, dá para ser lido de uma sentada, mas eu não consegui. A edição que li manteve a escrita da Carolina, com erros ortográficos, uma vez que ela cursou apenas as séries iniciais da escola. Carolina faz severas críticas ao governo da época, ao sistema de saúde e de previdência.

De quatro em quatro anos muda-se os políticos e não soluciona a fome, que tem a sua matriz nas favelas e as surcusaes nos lares dos operários.

O que eu concluo após essa leitura, e com tristeza, é que mesmo tantos anos depois as coisas não melhoraram! E, olhe que os relatos da Carolina foram de uma época em que as favelas ainda estavam surgindo em São Paulo!! Na verdade, acredito que as coisas tenham piorado.

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Despertar do silêncio – Resenha

Despertar do silêncio, de Shirley Vilhalva, conta em forma de diário como se deu a passagem de um mundo em que ela, diagnosticada com surdez neurossensorial severa bilateral, passou de uma infância em que interagia com seus familiares e colegas de escola através de leitura labial, gestos e intuição, até o momento em que ela conhece a língua de sinais, LIBRAS, e o mundo passa então a ter um sentido real para ela, a ter significado. Ela passa a ter uma identidade.

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Em sua infância, Shirley não entendia o mundo em que vivia. Não conseguia dizer o que pensava, não verbalizava claramente. Em casa, as pessoas não falavam com ela, ou falavam muito pouco, mas ela também não os ouvia. Quando ela queria falar, geralmente pediam que esperasse, que deixasse para depois e isto a deixava muito nervosa.

Chegou a usar aparelho auditivo quando tinha 12 anos, mas desistiu porque não se adaptou, além dos colegas debocharem dela por conta do aparelho. Foi nesse período que conheceu os sons até então desconhecidos para ela. Sua vida ganhou sentido quando conheceu a língua de sinais, a LIBRAS, onde ela encontrou conforto linguístico e permitiu maior agilidade na compreensão da língua oral-auditiva.

Em sua trajetória, contou com pessoas que a ajudavam a se comunicar, a entender o mundo e que a faziam se sentir segura. Ela conta que na época de escola os colegas tinham medo de que a surdez fosse contagiosa, que riam da forma como ela lia, que ela tinha dificuldade em associar as palavras que a professora usava com uma imagem a que pudesse associar esta palavra e que mesmo assim, ela conseguiu fazer algumas amizades.

Durante a vida, outras pessoas ajudaram bastante, principalmente seu padrasto que a incentivava a ler e a confiar em seu potencial. A família sempre investiu em complemento psicopedagógico, mesmo que as pessoas achassem que ela não devia estudar porque é surda. Fez magistério e cursou pedagogia. Durante a faculdade, passou a viajar militando em busca de melhorias para a comunidade surda, tanto social como educacional. Seu sonho era ser professora de surdos, mas quase não conseguiu. Na primeira tentativa foi rejeitada para ensinar surdos, numa escola de surdos, por ser surda. Algum tempo depois da rejeição, foi convidada a voltar, destacando-se em seu trabalho que lhe rendeu até prêmio.

Teve uma filha, cuja gravidez descobriu já aos 4 meses de gestação e utilizou a gravidez também na luta ela causa das futuras mães surdas. Sua filha é ouvinte. Ela conta como foi cuidar de uma bebê sendo surda, que algumas pessoas a questionavam por não ter entregue a menina para a família criar como os demais surdos fazem, além de relatar como é a convivência entre uma mãe surda e uma filha ouvinte.

O que se pode concluir da leitura destes relatos é o quão difícil é a vida de uma pessoa surda. Não só uma pessoa surda, mas qualquer uma que tenha alguma deficiência. A maior parte daquilo que sabemos, que é muito pouco, quase sempre é através da ótica de um ouvinte. Por mais que as pessoas se esforcem, que se emocionem com relatos como esse, aquilo que fazemos pensando estar ajudando, só beneficia a nós, ouvintes. A Libras, como segunda língua oficial do país, se faz cada vez mais necessária para que a comunidade surda seja respeitada e para que os surdos possam exercer seu papel de cidadãos livremente, seja em órgãos públicos, instituições educacionais, e em suas residências. E eu me pergunto: se é 2ª língua oficial, por que não está na grade curricular das escolas?! Fica aí uma proposta de debate.

Livro disponível para download em: http://editora-arara-azul.com.br/site/ebook/detalhes/10